Entenda mais sobre a importância do acasalamento assistido e seus resultados. Por Rodolffo Assis. Médico Veterinário Especialista e Mestrando em Biociência Animal Apesar de ainda pouco aplicado, o melhoramento genético tem se firmado como uma forma imprescindível para o incremento na rentabilidade da pecuária nacional. Há duas ferramentas que podem promover este melhoramento: seleção e acasalamento. Muito se comenta sobre seleção e sua utilização tem sido facilitada nos últimos anos com adventos em identificação e mensuração dos animais. Já o acasalamento direcionado, na maioria das vezes, ou não é empregado ou é utilizado de forma menos eficaz do que se poderia. Quando se fala em acasalamento dirigido muitos imaginam que o objetivo seja apenas correções morfológicas, como orelhas, pigmentação, marrafa e chanfro. Mas a verdade é que esta ferramenta vai muito além disso e é fundamental no processo de melhoria nos principais fornecedores de genética do mundo. Seleção: É importante que haja um levantamento da situação atual do rebanho, dos objetivos e dos critérios de seleção para que a escolha dos reprodutores que serão utilizados seja eficiente. Após uma minuciosa análise deve se escolher os touros e as quantidade que cada um deles deverá ser utilizado. Após esta etapa já é possível a verificação da média da próxima safra. Caso esta etapa seja negligenciada, mesmo com um ótimo direcionamento de acasalamento, não será possível se atingir os objetivos. Há a possibilidade de se definir a quantidade de utilização após o acasalamento individual. Isto dá maior liberdade para o acasalamento, mas deve se tomar cuidado para que não se concentre acasalamentos com touros que, entre os selecionados, estejam entre os piores, o que é comum de acontecer quando o acasalamento prioriza muito a correção morfológica dos animais. Nesta situação o ganho genético esperado não seria alcançado. Gráfico de projeção da safra 2018 Nelore Mocho CV, resultado de mais de 2.000 acasalamentos dirigidos realizados na estação 2017. Objetivos dos acasalamentos dirigidos: Entre os quatro objetivos que citaremos, os dois últimos necessitam que os animais possuam avaliação genética: - Controle de consanguinidade: Sabe-se que animais com alto coeficiente de endogamia (resultado do cruzamento entre parentes próximos) são menos produtivos. Esse fato é conhecido como depressão endogâmica e afeta principalmente a fertilidade e a sobrevivência. Atualmente, praticamente todos os programas de melhoramento dispõem de softwares que calculam o coeficiente de endogamia dos possíveis acasalamentos e permitem limitar este valor. Em geral, recomenda-se que esteja abaixo de 6,25. - Ajustes morfológicos: O direcionamento individualizado dos acasalamentos é utilizado há muito tempo para esta finalidade. Consiste em encontrar o reprodutor adequado para corrigir um ou mais pontos morfológicos inadequados de uma matriz. O resultado esperado é a maior quantidade de produtos adequados a um padrão, seja ele estabelecido por uma raça ou pelo próprio selecionador. Como exemplos podemos citar possíveis ajustes em frame, umbigo, pigmentação, garupa, boca, ossatura, caráter mocho, etc. Apesar destas características, em geral, possuírem alta herdabilidade (muito influência genética), devemos salientar que ocorrem muitos equívocos por serem informações, na maioria das vezes, de origem subjetiva. - Correções genéticas: Neste sentido o acasalamento funciona para corrigir alguma deficiência genética que o animal tenha. Em matrizes que sejam negativas para peso ao sobreano, por exemplo, se utilizariam touros muito bons para esta característica, resultando assim, em produtos positivos. Este tipo de acasalamento pode ser chamado de corretivo ou compensatório. Para isso os atuais programas de melhoramento trabalham com possibilidade de filtros nas projeções das avaliações dos acasalamentos, ou seja, pode-se excluir acasalamentos que resultem em características piores que um valor pré-determinado. Quando é realizada a seleção prévia para os reprodutores e suas respectivas quantidades e se prioriza os acasalamentos corretivos, há um aumento na homogeneidade da próxima safra, podendo-se ter menos descartes por avaliações muito ruins, mas dificilmente serão produzidos animais de excepcional genética. Seguindo o exemplo acima, utilizaríamos as doses de sêmen que dispomos de um touro com excepcional peso ao sobreano para corrigir as matrizes mais fracas nesta característica e teríamos que utilizar um touro inferior neste quesito nas matrizes superiores. - Obtenção de animais com avaliações genéticas extremas Esta é o maior objetivo dos rebanhos de seleção. Baseia-se em priorizar o acasalamento dos melhores machos com as melhores fêmeas e, automaticamente, dos piores machos com as piores fêmeas (entre os já selecionados). A este sistema é dado o nome de acasalamento entre semelhantes. Quando se utiliza este tipo de estratégia há uma maior variabilidade genética da safra, o que é muito importante para se obter animais “fora da curva”, objetivo primário dos selecionadores. Em geral, quanto mais se adota esta estratégia, mais se aumenta a quantidade de animais extremos e diminui a quantidade de medianos. Vermelho: matrizes Azul: resultado de acasalamentos prioritariamente corretivos Verde: resultado de acasalamentos prioritariamente entre semelhantes O gráfico acima mostra como se comportaria uma safra resultante do acasalamento entre os mesmos animais, diferenciando apenas a estratégia deste acasalamento. Neste exemplo, a média dos touros é superior à média das matrizes e cada um deles é utilizado na mesma quantidade. Verificamos que, caso os touros sejam utilizados na mesma quantidade, a média da safra independe da estratégia. O que determinaria qual estratégia devemos adotar seria ligado ao objetivo: - Homogeneidade dos produtos e obtenção de poucos animais com avaliação muito fraca: Acasalamento corretivo - Produção de animais de excelente avaliação: Acasalamento entre semelhantes Novidades: Os programas de melhoramento têm desenvolvido várias ferramentas para auxiliar o processo de acasalamento. Há pouco mais de um ano a ANCP, por exemplo, lançou o MaxPAG, um programa que sugere acasalamentos otimizados, os quais, além de controlar consanguinidade, tem a função de aumentar a variabilidade genética, resultando em maior ganho genético a médio e longo prazo. Outro exemplo de inovação na área vem do programa Geneplus. Em sua ferramenta de pré-acasalamento há a possibilidade de se classificar as indicações pelo “Nível de Problema”. Com esta classificação, são priorizados os acasalamentos com réguas de DEPs mais equilibradas e não apenas por um índice final padrão, o que poderia “esconder” animais com características negativas indesejadas. Também deverá estar disponível em breve programas que possibilitarão o controle de consanguinidade através de avaliação genômica, o que será ainda mais preciso que método de análise que possuímos atualmente. Conclusão: Longe de ser apenas uma ferramenta para ajustes estéticos, o acasalamento direcionado tem se tornado uma peça fundamental para o melhoramento genético planejado e sustentável. Realizá-lo de forma eficiente pode gerar uma significativa redução no tempo necessário para se atingir os objetivos de seleção.

Acasalamento direcionado: peça fundamental para planejamento genético sustentável

Entenda mais sobre a importância do acasalamento assistido e seus resultados.

Por Rodolffo Assis. 

Médico Veterinário Especialista e Mestrando em Biociência Animal

Apesar de ainda pouco aplicado, o melhoramento genético tem se firmado como uma forma imprescindível para o incremento na rentabilidade da pecuária nacional. Há duas ferramentas que podem promover este melhoramento: seleção e acasalamento.

Muito se comenta sobre seleção e sua utilização tem sido facilitada nos últimos anos com adventos em identificação e mensuração dos animais. Já o acasalamento direcionado, na maioria das vezes, ou não é empregado ou é utilizado de forma menos eficaz do que se poderia.

Quando se fala em acasalamento dirigido muitos imaginam que o objetivo seja apenas correções morfológicas, como orelhas, pigmentação, marrafa e chanfro. Mas a verdade é que esta ferramenta vai muito além disso e é fundamental no processo de melhoria nos principais fornecedores de genética do mundo.

 

Seleção:

É importante que haja um levantamento da situação atual do rebanho, dos objetivos e dos critérios de seleção para que a escolha dos reprodutores que serão utilizados seja eficiente.

Após uma minuciosa análise deve se escolher os touros e as quantidade que cada um deles deverá ser utilizado. Após esta etapa já é possível a verificação da média da próxima safra.

Caso esta etapa seja negligenciada, mesmo com um ótimo direcionamento de acasalamento, não será possível se atingir os objetivos.

Há a possibilidade de se definir a quantidade de utilização após o acasalamento individual. Isto dá maior liberdade para o acasalamento, mas deve se tomar cuidado para que não se concentre acasalamentos com touros que, entre os selecionados, estejam entre os piores, o que é comum de acontecer quando o acasalamento prioriza muito a correção morfológica dos animais. Nesta situação o ganho genético esperado não seria alcançado.

Gráfico de projeção da safra 2018 Nelore Mocho CV, resultado de mais de 2.000 acasalamentos dirigidos realizados na estação 2017.

Objetivos dos acasalamentos dirigidos:

 

Entre os quatro objetivos que citaremos, os dois últimos necessitam que os animais possuam avaliação genética:

 

– Controle de consanguinidade:

Sabe-se que animais com alto coeficiente de endogamia (resultado do cruzamento entre parentes próximos) são menos produtivos. Esse fato é conhecido como depressão endogâmica e afeta principalmente a fertilidade e a sobrevivência.

Atualmente, praticamente todos os programas de melhoramento dispõem de softwares que calculam o coeficiente de endogamia dos possíveis acasalamentos e permitem limitar este valor. Em geral, recomenda-se que esteja abaixo de 6,25.

 

– Ajustes morfológicos:

                O direcionamento individualizado dos acasalamentos é utilizado há muito tempo para esta finalidade. Consiste em encontrar o reprodutor adequado para corrigir um ou mais pontos morfológicos inadequados de uma matriz. O resultado esperado é a maior quantidade de produtos adequados a um padrão, seja ele estabelecido por uma raça ou pelo próprio selecionador. Como exemplos podemos citar possíveis ajustes em frame, umbigo, pigmentação, garupa, boca, ossatura, caráter mocho, etc.

                Apesar destas características, em geral, possuírem alta herdabilidade (muito influência genética), devemos salientar que ocorrem muitos equívocos por serem informações, na maioria das vezes, de origem subjetiva.

 

– Correções genéticas:

                Neste sentido o acasalamento funciona para corrigir alguma deficiência genética que o animal tenha. Em matrizes que sejam negativas para peso ao sobreano, por exemplo, se utilizariam touros muito bons para esta característica, resultando assim, em produtos positivos. Este tipo de acasalamento pode ser chamado de corretivo ou compensatório.

                Para isso os atuais programas de melhoramento trabalham com possibilidade de filtros nas projeções das avaliações dos acasalamentos, ou seja, pode-se excluir acasalamentos que resultem em características piores que um valor pré-determinado.

                Quando é realizada a seleção prévia para os reprodutores e suas respectivas quantidades e se prioriza os acasalamentos corretivos, há um aumento na homogeneidade da próxima safra, podendo-se ter menos descartes por avaliações muito ruins, mas dificilmente serão produzidos animais de excepcional genética. Seguindo o exemplo acima, utilizaríamos as doses de sêmen que dispomos de um touro com excepcional peso ao sobreano para corrigir as matrizes mais fracas nesta característica e teríamos que utilizar um touro inferior neste quesito nas matrizes superiores.

 

– Obtenção de animais com avaliações genéticas extremas

                Esta é o maior objetivo dos rebanhos de seleção. Baseia-se em priorizar o acasalamento dos melhores machos com as melhores fêmeas e, automaticamente, dos piores machos com as piores fêmeas (entre os já selecionados). A este sistema é dado o nome de acasalamento entre semelhantes.

                Quando se utiliza este tipo de estratégia há uma maior variabilidade genética da safra, o que é muito importante para se obter animais “fora da curva”, objetivo primário dos selecionadores. Em geral, quanto mais se adota esta estratégia, mais se aumenta a quantidade de animais extremos e diminui a quantidade de medianos.

Vermelho: matrizes

Azul: resultado de acasalamentos prioritariamente corretivos

Verde: resultado de acasalamentos prioritariamente entre semelhantes

O gráfico acima mostra como se comportaria uma safra resultante do acasalamento entre os mesmos animais, diferenciando apenas a estratégia deste acasalamento. Neste exemplo, a média dos touros é superior à média das matrizes e cada um deles é utilizado na mesma quantidade. Verificamos que, caso os touros sejam utilizados na mesma quantidade, a média da safra independe da estratégia. O que determinaria qual estratégia devemos adotar seria ligado ao objetivo:

– Homogeneidade dos produtos e obtenção de poucos animais com avaliação muito fraca: Acasalamento corretivo

– Produção de animais de excelente avaliação: Acasalamento entre semelhantes

 

 

Novidades:

                Os programas de melhoramento têm desenvolvido várias ferramentas para auxiliar o processo de acasalamento.

                Há pouco mais de um ano a ANCP, por exemplo, lançou o MaxPAG, um programa que sugere acasalamentos otimizados, os quais, além de controlar consanguinidade, tem a função de aumentar a variabilidade genética, resultando em maior ganho genético a médio e longo prazo.

                Outro exemplo de inovação na área vem do programa Geneplus. Em sua ferramenta de pré-acasalamento há a possibilidade de se classificar as indicações pelo “Nível de Problema”. Com esta classificação, são priorizados os acasalamentos com réguas de DEPs mais equilibradas e não apenas por um índice final padrão, o que poderia “esconder” animais com características negativas indesejadas.

                Também deverá estar disponível em breve programas que possibilitarão o controle de consanguinidade através de avaliação genômica, o que será ainda mais preciso que método de análise que possuímos atualmente.

 

                Conclusão:

                Longe de ser apenas uma ferramenta para ajustes estéticos, o acasalamento direcionado tem se tornado uma peça fundamental para o melhoramento genético planejado e sustentável. Realizá-lo de forma eficiente pode gerar uma significativa redução no tempo necessário para se atingir os objetivos de seleção.

 

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